Poema em duas versões, com ilustrações, cocriado por João Fernando de Oliveira Coelho e ChatGPT durante a Oficina “Coescrita com Inteligência Artificial na Literatura”, conduzida por André Stangl no Instituto Estação das Letras, em dezembro de 2024.
Primeira versão
“Escreva um cordel com pelo menos 20 estrofes, em redondilha maior e sextilhas, usando rimas alternadas. O título e o tema devem ser ‘a peleja do diabo com o dono do céu’”.
A Peleja do Diabo com o Dono do Céu

Foi num dia de calor, Que o céu se abriu em glória, Mas surgiu um grande horror, Pra mudar toda a história. O diabo quis pelejar, Pensando em ter a vitória.
Lá do fundo do inferno, Ele gritou com altivez: "Eu vou subir nesse terno Pra mandar de uma vez! Chegou minha oportunidade, Quero a coroa e o poder!"
Mas Deus, com sua calma, Nem sequer se abalou. A paz reinava na alma, E o trono não tremeu, não! "Venha então, ó criatura, Ver do que é feito o céu bom!"
O diabo, todo armado, Com chamas em seu olhar, Subiu todo empolgado, Achando que ia ganhar. Mas Deus, com sabedoria, Só ria daquele azar.
"Ó Deus, tua justiça é fria, Teu trono é só opressão! Eu vim roubar tua alegria E comandar toda nação. Abaixo o teu julgamento, Acima, minha ambição!"
Mas Deus, com sua verdade, Respondeu ao acusador: "O céu é só liberdade, Aqui só reina o amor. Teu reino é fogo e ódio, De dores, foste escultor."
Lá embaixo, as criaturas Assistiam a peleja. Algumas, cheias de tortura, Achavam que ele festeja. Mas Deus seguia tranquilo, Enquanto o mal se despeja.
"Pro inferno eu fui lançado, Pois teu juízo é cruel. Eu te vi como um tirano, O dono do grande anel. Hoje vi buscar revanche, Eu quero o teu chapéu!"
Deus, em sua paciência, Olhou firme o adversário: "O mal que te fez doente Veio do teu próprio calvário. Eu dei-te asas de anjo, Mas tu quiseste o contrário."
E assim a peleja ia, Entre o céu e a escuridão. Um lado, cheio de ira, Outro, cheio de perdão. O diabo, sem respostas, Desferia a tentação.
Prometeu terras e reinos, Montanhas de puro ouro. Disse: "Te dou o que quero, Se abandonares teu povo!" Mas Deus, firme, respondeu: "Minhas riquezas renovo."
O diabo, então cansado, Tentou ainda um ardil: "Se és tão justo e honrado, Por que eu caí tão vil?" Deus, com calma, lhe disse: "Tua escolha é que foi sutil."
"Tu tinhas luz no teu peito, Cantava aqui no coral. Fiz-te grande, sem defeito, Porém quiseste o mal. Agora colhe o que planta, Pois só tu és teu rival."
O diabo, enfurecido, Soltou um grande rugido. Mas no fundo, comovido, Sabia que tinha perdido. O céu seguia em paz, E o mal seguia iludido.
E assim a história finda De quem quis desafiar O Senhor de força infinda Que nunca vai se abalar. O bem sempre há de vencer, Por mais que o mal vá lutar.
A lição dessa peleja É pra gente refletir: Mesmo que o mal te almeje, É no bem que vais seguir. Pois o amor é a estrada Que nunca vai se extinguir.
E quem ler esse cordel Pode guardar no coração: O céu é o grande troféu Pra quem vive em comunhão. O diabo perdeu a luta, Mas a graça vence o não.
Assim termina o poema, De um combate sem igual. Um lado que só condena, Outro que é puro manancial. Fique com Deus nessa vida E deixe o mal ser banal!
Segunda versão
“Refaça o poema, fazendo de Deus um colonizador e do Diabo um colonizado”.
A Peleja do Dono do Céu com o Rebelde do Inferno

Lá nas terras do além-mar, Onde o céu era a nação, Deus chegou pra conquistar Com poder e dominação. E o diabo, inconformado, Levantou-se em rebelião.
Deus trazia a sua ordem, Suas leis e sua coroa, Dizia: "O que te acorde É seguir minha pessoa. Eu sou dono do destino, Minha força tudo ecoa!"
O diabo, acorrentado, Sob as regras do invasor, Respondeu já revoltado: "Teu poder é opressor! Tu diz que és todo justo, Mas espalhas tanta dor."
"Quando aqui eu governava, Tinha paz no meu terreiro. Era livre e caminhava Com meu povo verdadeiro. Agora só vejo grades Nesse céu de fazendeiro!"
Deus, sentado em seu trono, De ouro, esplendor e luz, Declarou: "Eu sou o dono, Minha vontade conduz. Tuas terras são meu prêmio, Meu nome é quem as traduz."
O diabo, enfurecido, Não quis mais se ajoelhar: "Tu chegaste com teu brilho, Pra roubar e subjugar. Mas aqui não me entrego, Vou lutar até o final!"
E assim se deu a peleja Entre o céu e o inferno. De um lado, o colonizador Com seu jugo tão moderno, Do outro, o rebelde firme, No seu grito mais eterno.
"Tu me chama de maldito, De ser vil e corrompido. Mas quem rouba o infinito É que é o verdadeiro bandido! Tu prega tua justiça, Mas só vejo chão ferido."
Deus, em sua altivez, Rebateu com destemor: "Tua terra eu fiz de vez, Foi por mim que tens valor. És só servo, criatura, Eu sou rei e criador."
"Fiz meu povo à tua imagem, Pra viver em comunhão. Mas tu quis a vassalagem E seguiu na perdição. Agora, sem teu juízo, Vens clamar revolução?"
"Teu discurso é tão vazio", O diabo logo gritou. "Tu me toma por vadio, Mas sou eu quem sempre amou. Meu inferno é resistência Ao teu mundo que queimou!"
E o debate prosseguia, Entre golpes de razão. Deus impunha sua hegemonia, O diabo, sua paixão. A peleja era mais dura Do que guerra de canhão.
"Meu inferno não é chamas, Nem tortura ou perdição. É a luta de quem clama Por justiça e coração. Teu céu é só a cadeia Do espírito em prisão."
Deus, então, ergueu-se imenso, Com poder universal. Declarou: "Sou tão imenso, Que tu és só o local. Nada fazes sem meu pulso, Tu és meu e nada mais!"
O diabo, então, sorriu Com amarga ironia. "Teu domínio é tão hostil, Mas eu canto a rebeldia. Pode o mundo ser teu reino, Mas o grito é a minha via!"
E assim findou-se a peleja Entre o céu e a liberdade. Deus ficou com suas regras, Com sua cruel verdade. E o diabo, nas masmorras, Cantou o sonho à vontade.
Quem ouvir esse cordel Pense bem na opressão: Nem sempre o céu do outro É a nossa salvação. Pois justiça sem amor É só falsa dominação.
Ficha de cocriação
Autor
João Fernando de Oliveira Coelho
Mini bio
Formado em Direito, João Coelho trabalha na área e mantém desde cedo interesse pela criação verbal, especialmente a poesia. Foi “poeta eletrônico” no início dos anos 1980, com microcomputadores e linguagens simples de programação, e investiga os elos entre pensamento, processamento de dados, inteligência artificial e expressão artística.
Processo de cocriação
Primeiro, o autor pediu ao modelo uma explicação sobre a versificação tradicional do cordel nordestino. Em seguida, definiu tema, número de estrofes e versos, métrica e rimas para a primeira versão. Depois, modificou o tema em um novo prompt, dando origem à segunda versão.
Modelo de IA utilizado
ChatGPT
Licença
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